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Reflexão acerca de uma liminar inconsequente.

Ainda ecoa a indignação a respeito da liminar que proíbe o uso de terapias de (re)orientação sexual. Existem advogados, juristas, políticos, pessoas se manifestando a respeito, o que indica que, quando molestado, o individuo brasileiro pode e consegue se manifestar. Particularmente a liminar me afeta em vários níveis, ou seja, pessoal, profissional, emocional... esse envolvimento me fez manifestar, aqui, algumas reflexões.

Para pensar a questão juridica, indico dois links:
As entrelinhas da “liminar da cura gay”: a homofobia disfarçada de liberdade ,

Permitir aos indivíduos que por vontade própria busquem orientação profissional acerca de sua sexualidade por ele próprio entendida como heterosexual é praticar a “cura gay”?
e
A homofobia dos magistrados

Do meu, lado, a psicologia, entendo que defender a decisão do CFP 01/99 implica em defender como fazer a psicologia, em estabelecer como, ao se propor a ajudar alguém através desta profissão, devemos tomar cuidado.

Um dos textos que tive o prazer de ler, durante minha formação, traz um parágrafo que mostra exatamente o risco e o cuidado que se deve ter.


O autor, Rudio, coloca que “os inimigos do homem moderno podem ser constituídos por um grupo de terapeutas, de aparência inofensiva, que estaria fazendo o que pudesse para ajudá-lo”. Completa o pensamento dizendo que “existe uma possibilidade real de que possamos estar ajudando o indivíduo a ser feliz, ao preço da perda de seu próprio ser.”

Mais adiante, na obra. autor traz um caminho para não incorrer novamente nessa armadilha: “Somente o próprio cliente é quem pode fazer a recuperação de si, da sua disfunção organísmica, da sua inautenticidade, e ninguém poderá fazer no lugar dele. Entretanto, a condição imprescindível para que isso aconteça, na psicoterapia, é o diálogo maiêutico, onde a aceitação do cliente pelo terapeuta e sua compreensão empática – e não os métodos e técnicas que utiliza – são fatores essenciais e decisivos para a referida recuperação”.

Serviço:
RUDIO, FV. Diálogo maiêutico e psicoterapia existencial. Martins Fontes Editora. São Paulo. 1998

Se algum@ leitor@ tiver interesse em fazer contato, peço que use o e-mail femaidel@gmail.com 

Comentários

Simone Nimitz disse…
Me fez pensar, todos os momentos da vida se transiciona.... o que nos dá coragem eh a possibilidade de "voltar atras se não gostar"... puramente ilusório; mas a morte eh a unica transição que não tem volta.... mesmo que criemos tantas alternativas para compreende-la... ainda eh a mais dura. A transição de gênero também pode ser vista como morte e nascimento. E a grande pergunta eh.... e se nem assim me sentir inteiro. Nossa da muito o que pensar!! Gostei!!! Bjs

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