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A loucura não para...

Minha intenção, ao produzir os textos para esta coluna, é conversar sobre possibilidades de existir, possibilidades que provavelmente sejam novas para a maior parte das pessoas. Percebo que, de vez em quando, acabo chegando numa fronteira em que os que estão imersos em dúvidas se defrontam com os que arrogam certezas e que, para ambas as partes, é muito difícil explorar e discutir o lugar que ocupam e o lugar do outro no mundo.

Tenho trazido, para compor meus artigos, questões pessoais e histórias de outras pessoas que, acredito, de alguma forma ilustrem o que é viver uma transição. Meu objetivo é ir compondo um mosaico que permita, a quem está em um dos lados dessa fronteira, enxergar possibilidades de ação e mobilidade, seja emocional, física ou intelectual e, ao mesmo tempo, construir uma argumentação razoável junto ao que resistem a mudanças, para quem a vida deve transcorrer sempre em acordo com o previsto e que toda ambivalência ou transgressão devesse ser extirpada, punida, expulsa.

O resultado, segundo me informam, tem sido bem-sucedido. Mas, desta vez, preferi mudar o foco. Ao invés de falar dos que transicionam, comecei a buscar novas fontes para escutar. A alguns dias atrás li o texto transcrito abaixo, (tem um vídeo também) e acho que ele casa especialmente bem, apesar de não diretamente, com o que gostaria de falar sobre transição.

Loucura, ou a luz que fere a alma...
“... a loucura não para... A loucura e a literatura, a loucura e a arte, a loucura e a filosofia não param de ser perseguidas pelas forças repressivas do campo social, psiquiatria e etc... Porque é exatamente isso.
Para produzir esse mundo novo é preciso correr um risco muito grande. Correr um risco de pensamento. E - aqui é de uma beleza incrível - isso é o pensamento, não naquilo que é real. E não naquilo que é possível. A questão do pensamento é produzir o impossível. Produzir o impensável. É exatamente o que Nietzsche fez! É exatamente o que Spinoza fez! Ir além de todos os limites que nos foram dados por Kant, era o pensamento. Transgredir é muito mais do que transgredir, é produzir exatamente um novo. Produzir impossibilidades! ”.


Quão perto, ao pensar em transições, estamos próximos do que é classificado como loucura, o quanto o olhar do outro interfere e influencia nossas decisões, o quanto nossas instituições estão pré-desenhadas para atingir certos objetivos e o quanto, dentro delas mesmas, estão os possíveis germes das mudanças.



Para ver o texto referência:
Cláudio ULPIANO in: Pensamento e Liberdade em Spinoza. Aula gravada em 1988, no Planetário da Gávea, Rio de Janeiro-RJ. Disponível em: <https://vimeo.com/10348233Visualizado em 13/08/2017 Sobre o autor, veja em http://claudioulpiano.org.br/

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