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"A propaganda jamais apela à razão, mas sempre à emoção e ao instinto." Goebels

Após a terrível recepção a Judith Butler em São Paulo, o silêncio que se seguiu foi tão pesado que chamou minha atenção. Eis o simples motivo  pelo qual o post dessa semana acabou atrasando: silêncio por parte "deles". 

Não acredito que o fato de Caetano e Karnal terem escancarado (veja video aqui) as prováveis razões de tudo isso tenha sido suficiente para calá-los. Nem as declarações pra lá de sensatas (veja links no final) de Butler seriam suficientes para conseguir isso. Há algo no ar.

Durante as semanas que antecederam e na que sucedeu a vinda de Butler ao Brasil, rastreei como funcionava "a tática de desacreditação", já reconhecida. Cria-se uma mensagem falsa, mas crível, deixa-se as redes sociais, com seus sistemas de compartilhamento e os bots, se encarregarem do resto. Assim, concretiza-se um dos mais famosos pensamentos nazistas, cunhado por Goebels, "Uma Mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade." . 


Parece-me que, em essência, é contra isso que teremos que lutar o tempo todo: a tendência humana de não verificar a exatidão das fontes, que nasceu com a humanidade por questão de sobrevivência, já que nos primórdios, não dava para esperar e ver quais as reais intenções de um predador que se aproximava. 

"Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come"... Estamos diante dessa variação do "efeito manada", no qual Pedro grita "é o Lobo" e uma pequena multidão corre para atear fogo a efígie de Butler, fantasiada de bruxa... "A Inquisição nunca diz 'queima e mata', ela diz 'Misericórdia e Justiça' " cita Karnal. "Em nome de valores morais, algumas das piores atrocidades da história foram cometidas", diz ele.



Beatriz Preciado vai pelo mesmo caminho, em seu texto "Quem defende a criança  Queer". Ninguém está salvo, ninguém é inocente. Pesquisa de 2013, citada por Pagliarini no grupo de FB Transfeminismo , em 12 de novembro, mostra o quanto é necessário falarmos sobre aceitação e preconceito. Segundo a pesquisa, estar com travestis na sala de aula só é menos incomodo que estar com bagunceiros... não está na hora de rever estes conceitos?


Flavia Biroli, citada em trabalho acadêmico de Lua Stabile, " 'Ideologia de gênero' e agendas políticas" , coloca que "O discurso parlamentar a respeito da chamada “ideologia de gênero” emerge a partir do atual cenário da crise política brasileira, no qual o conservadorismo ameaça trazer retrocessos em relação aos direitos humanos, à democracia brasileira e aos direitos individuais que dizem respeito à autonomia, sexualidade e à liberdade de expressão. "

Stabile continua, mostrando que "A luta contra o que denominam “Ideologia de Gênero” emerge neste cenário, alavancada principalmente durante o período da tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE). Nesse período, o deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF) solicitou esclarecimentos ao Ministro da Educação sobre os seguintes trechos que, na visão dele, realizam a manutenção da “ideologia de gênero” . O requerimento produzido pelo Deputado Izalci Lucas (PSDB/DF) e outros, apresenta a seguinte descrição da teoria desenvolvida por Butler e que seria a “ideologia de gênero”:
(...) para conduzir à destruição da família, necessária para promover a revolução socialista. Segundo Butler, quando as feministas se pensam em si mesmas como mulheres, já estão com isto, construindo um discurso que as impedem de emancipar-se dos homens. As feministas não deveriam mais falar
da mulher como sujeito do seu movimento, mas deveriam, em vez disso, substituir tanto a feminilidade como a masculinidade pelo conceito amorfo e variável de gênero. (RIC 565/2015, 2015)" . A trajetória parlamentar do referido deputado pode ser conhecida aqui

Para finalizar esse post, que mais pareceu uma colcha de retalhos, vou recorrer novamente a Goebels: "A propaganda jamais apela à razão, mas sempre à emoção e ao instinto." É com isso que temos que lidar hoje.


Links consultados para construção do post:











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