Pular para o conteúdo principal

No Brasil, uns são mais iguais do que os outros... e você?

Num país em que as maiores manifestações culturais derivam de expressões religiosas (Natal, Carnaval, Festas juninas, Páscoa...), sediar a maior Parada do Orgulho LGBT do mundo tem um significado um pouco diferente do restante do mundo. 

A Parada do Orgulho LGBT, no Brasil, se presta a denunciar um país hipócrita, violento, bairrista, classista, no qual tudo podemos, desde que seja parecido com o carnaval. Sem pecados abaixo do equador. E quando há lei, seus agentes, que devem estar a serviço daqueles que, pela condição, pelo número, pela falta de instrumentos, fazem vista grossa ou tingem ideologicamente suas ações, esvaziando o resultado. Também serve para refletirmos o que queremos para nós, o que fazer de nosso destino, como país, como sociedade, como tolerância, como gente. Este é o sentido da palavra Diversidade. Esta é a intenção da palavra Orgulho. 


A parada serve para reunir a todos aqueles que se sentem excluídos, de várias formas e não têm espaço para sua expressão e lembrar o Art. 5º da Constituição Brasileira, que começa com: “Todos são iguais perante a lei...”. Um direito que deve valer o tempo todo. Mas parece que, no Brasil, uns são mais iguais do que os outros. 

Poucos meses após a realização da Parada em São Paulo, fica claro que participar deste tipo de evento é lutar pelo direito a nossas vidas, nossos corpos, nossos jeitos de ser. Pelo direito de não ter que pedir permissão para viver quando até isso nos é vetado, não por uma lei explícita, mas pelo constrangimento, pela possibilidade (real) da agressão, pelo olhar, pelo julgamento, pela maneira que se é classificado, sujeitos a um saber jurídico, a um saber médico, ao poder externo concebido para nos proteger, mas que, em verdade, tolhe o direito que almejamos. 

Há quem ignore, há os que repudiam, quem respeite o direito à expressão e há quem prefira ficar em casa. As pessoas que se identificam e estão mobilizadas provavelmente foram à parada. Gente que não se inclui no guarda-chuva LGBT começa a perceber que a violência que sofremos se espalha para outras partes da sociedade, sem critério, sem gênero, sem dono. E que algo precisa ser feito. Vemos, todos os dias, atos terríveis acontecendo contra pessoas que se identificam como LGBT, contra pessoas vulneráveis, contra cidadãos. Nós versus eles. Quem somos NÓS? Quem são ELES?

Há um monte de gente que não pode ir. Gente calada. Armarizada. Esbarramos na visão tacanha de uns tantos, que insistem em dizer que nos representam, mas que simplesmente nos deixam acuados. Fica o convite para viver a Parada Gay, onde e quando ela aconteça, com olhos, corações, mentes e corpos abertos para o novo, desejando apenas viver, sem medo.

Comentários

Siga nossa página