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O último post do ano.

Este provavelmente seja meu último post do ano. Sendo assim, vou usá-lo para uma "retrospectiva" de como este ano foi e está sendo, para gerar material para pensar e repensar o que vem por aí.

Propus-me inicialmente, publicar aqui posts que falariam do que é transicionar em gênero a partir da visão de quem realiza a transição, mesclados a opiniões que equilibram o tema, sempre controverso. À medida que as pesquisas que realizo para escrever avançaram, percebi que o que movimenta a quem trasiciona não difere, em modo, daqueles que procuram aprofundar o sentido de sua existência, de modo a crescer, ampliar seu horizonte, ser um "SI MESMO" melhor.

Isso me levou a ampliar as pesquisas e a ver que, tanto a questão de Gênero, quanto a erradicação da pobreza, da fome, do analfabetismo, do acesso a cursos superiores, resvalaram num sistema de manutenção do poder que manteve este país "equilibrado e inerte" por séculos... O gigante "deitado eternamente em berço esplêndido" adormecido.

De alguns meses para cá, vejo os discursos, tanto na mídia, como nas redes sociais, bombardeando sistematicamente aquelas conquistas que sabíamos, tanto na Marcha das Diretas-já (é dai que as camisetas amarelas vieram), nos panelaços pela democracia, pela constituinte titubeante que concebemos e que sabíamos, iria levar anos para acertar, consolidar... e que buscavam erradicar exatamente esse fosso que faz de nosso país uma favela "com vista para o mar".

Ao interromper um governo, (me refiro aqui ao Collor) e substituir por um projeto relativamente arrojado de economia, pudemos botar os pés num território que chamo de "Nunca antes nesse país...". Nunca houve perspectiva de equilíbrio, crescimento, equalidade... Passaram-se 30 anos, e o que pudemos ver foi que, numa nova interrupção de governo (agora, da Dilma) perdemos também o lastro que nos separava do fascismo, do poder acéfalo, sem diretriz.

É inegável que o desmonte das conquistas sociais está ocorrendo. Mais inegável ainda, a apatia ensurdecedora da população frente a questões importantes, como a nova legislação trabalhista, o SUS, a Previdência, o bujão de gás... Estas são transições que estão ocorrendo e com as quais teremos de lidar no próximo ano, em nossa sociedade/maré, que traz boas e más mudanças, sucessivamente.

Mas, mais assustador ainda, é a liberdade que certos cidadãos tomam para si, rebuscando e subvertendo valores, e tentando provar que apenas uma pequena parcela da população está "CERTA", uma outra parcela, bem maior, está "no caminho certo", e que aqueles que, historicamente, eram considerados marginais, devem ter seus direitos suprimidos, num retrocesso somente imaginável em regimes fascistas/ditatoriais.

Abro o jornal "A Folha de São Paulo " (6/12/17)  e vejo, na capa do caderno C, a manchete "Governo vincula discussão de gênero a ensino religioso" (o link leva à versão mobile)... que houve com nosso país? Que houve com as instituições que deveriam zelar pelo equilíbrio, pela justiça, pelo bom-senso?

Acredito que, se não agirmos de forma coordenada, como é possível ver os defensores do "fim de nossas conquistas" se articularem, teremos que pensar como será a oitava republica de nosso país, já que a sétima se desenha bastante sombria...

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